Por um dos meus artistas preferidos!
domingo, 11 de abril de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
História " O pássaro da alma"
"No fundo do corpo mora a alma.
Ninguém a viu,todos sabem que ela existe.
No centro da alma,está um pássaro, é o Pássaro da Alma.
Ele sente tudo o que nós sentimos.
Quando alguém nos magoa,
o Pássaro da Alma sofre muito e agita-se
para trás e para a frente..."
Ninguém a viu,todos sabem que ela existe.
No centro da alma,está um pássaro, é o Pássaro da Alma.
Ele sente tudo o que nós sentimos.
Quando alguém nos magoa,
o Pássaro da Alma sofre muito e agita-se
para trás e para a frente..."
Passaroalma
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domingo, 28 de março de 2010
terça-feira, 23 de março de 2010
domingo, 21 de março de 2010
Dia da Poesia
Lembrando Fernando Pessoa
"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração".
Retirado de "Quadras e outros Cantares"
"O poeta é um fingidor.Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas da roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração".
Retirado de "Quadras e outros Cantares"
As Actividades da semana da Festa do Livro e da Leitura
A semana da Festa do Livro e da Leitura foi muito animada realizaram-se múltiplas actividades nas Bibliotecas Escolares do Agrupamento...
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Actividades
quarta-feira, 10 de março de 2010
sexta-feira, 5 de março de 2010
Festa do Livro e da Leitura
A Festa do Livro e da Leitura do Agrupamento de Escolas Gualdim Pais irá decorrer na semana de 15 a 19 de Março.Actividades:
- Feira do livro
- Escrita criativa
- À conversa com o escritor/ilust. João Manuel Ribeiro
- Quem conta um conto
- Voluntariado de leitura
- Dramatizações (...)
"O LIVRO É UMA JANELA ABERTA PARA DESCOBERTA" José Jorge Letria
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Mês de Março - Mês da Leitura
A Rede de Bibliotecas de Pombal [RBP], procurando incentivar o gosto pela leitura e pela escrita, convida todas as Escolas e Jardins de Infância a participarem na iniciativa «Versos Rimados, Versos Sonhados».



Participa
...E que os versos dos poemas sonhem todas as rimas.
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Actividades
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
O Guia do Utilizador
E para ajudar a perceber como está organizada a Biblioteca foi elaborado o...
Guia do Utilizador
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Recados
A Biblioteca do Centro Escolar de Carnide
Enfim! Chegou o Dia da Inauguração...
Dia 5 de Fevereiro, pelas 14 horas, a Biblioteca Escolar abriu a porta aos sonhos e o encantamento surgiu no rosto das crianças que ansiosamente aguardavam por este momento...
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Notícias
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
E a festa continuou...
À noite, a Biblioteca do Centro Escolar encheu-se de famílias…
(clicar na imagem)
E foi preciso abrirem-se as portas do refeitório para que todos ouvissem os contos contados por António Fontinha!
António Fontinha explicou que as histórias que conta não são inventadas por ele: fazem parte da narração oral, que é importante preservar.
E o encanto das histórias … encheu a noite de sonhos!
António Fontinha explicou que as histórias que conta não são inventadas por ele: fazem parte da narração oral, que é importante preservar.
E o encanto das histórias … encheu a noite de sonhos!
(clicar na imagem)
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Notícias
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
A inauguração...
Excerto da notícia publicada no Jornal "O Correio de Pombal"
O Centro Escolar de Carnide dispõe de uma nova Biblioteca desde a passada sexta-feira. “Vamos estimar este presente que vocês aqui têm”, aconselhou Eusébio Rodrigues, presidente daquela Junta de Freguesia, dirigindo-se às mais de cem crianças presentes na inauguração. “Esta Biblioteca é de todos, é para vocês mas também é para nós”, declarou. Durante a tarde, Ana Cabral contou histórias às crianças do pré-escolar e do 1º ciclo. Foi enquanto coordenadora inter-concelhia do programa nacional da rede de bibliotecas escolares que deu “os parabéns a todos os professores da escola, aos pais, à Câmara Municipal e à Junta” por esta “porta que se abriu hoje, só possível graças a uma grande equipa”. (...) Sara Rocha, a Directora do Agrupamento de Escolas Gualdim Pais, aproveitou a ocasião para “agradecer a todos os que tornaram possível este espaço”, bem como para alertar os alunos para o facto de haver “muitos meninos que não têm nada disto”. “A leitura é fundamental para o vosso sucesso”. (...) Narciso Mota descerrou a placa comemorativa na companhia dos vereadores da Câmara Municipal, Fernando Parreira e Pedro Pimpão, (...) O presidente do executivo destacou que “estamos a construir mais cinco” e expressou o seu desejo de que “todos os meninos do concelho tivessem uma biblioteca como esta”. O programa nacional da rede de bibliotecas escolares financiou o seu fundo documental, mobiliário e equipamento.
O Centro Escolar de Carnide dispõe de uma nova Biblioteca desde a passada sexta-feira. “Vamos estimar este presente que vocês aqui têm”, aconselhou Eusébio Rodrigues, presidente daquela Junta de Freguesia, dirigindo-se às mais de cem crianças presentes na inauguração. “Esta Biblioteca é de todos, é para vocês mas também é para nós”, declarou. Durante a tarde, Ana Cabral contou histórias às crianças do pré-escolar e do 1º ciclo. Foi enquanto coordenadora inter-concelhia do programa nacional da rede de bibliotecas escolares que deu “os parabéns a todos os professores da escola, aos pais, à Câmara Municipal e à Junta” por esta “porta que se abriu hoje, só possível graças a uma grande equipa”. (...) Sara Rocha, a Directora do Agrupamento de Escolas Gualdim Pais, aproveitou a ocasião para “agradecer a todos os que tornaram possível este espaço”, bem como para alertar os alunos para o facto de haver “muitos meninos que não têm nada disto”. “A leitura é fundamental para o vosso sucesso”. (...) Narciso Mota descerrou a placa comemorativa na companhia dos vereadores da Câmara Municipal, Fernando Parreira e Pedro Pimpão, (...) O presidente do executivo destacou que “estamos a construir mais cinco” e expressou o seu desejo de que “todos os meninos do concelho tivessem uma biblioteca como esta”. O programa nacional da rede de bibliotecas escolares financiou o seu fundo documental, mobiliário e equipamento.
Ana Rendall Tomaz
Rosa Lobato Faria

Autobiografia
Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.
Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).
Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.
Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.
Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.
Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.
Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.
Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).
Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.
Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.
Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.
Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo.
Encontramo-nos no meu próximo romance.
Quando eu era pequena havia um mistério chamado Infância. Nunca tínhamos ouvido falar de coisas aberrantes como educação sexual, política e pedofilia. Vivíamos num mundo mágico de princesas imaginárias, príncipes encantados e animais que falavam. A pior pessoa que conhecíamos era a Bruxa da Branca de Neve. Fazíamos hospitais para as formigas onde as camas eram folhinhas de oliveira e não comíamos à mesa com os adultos. Isto poupava-nos a conversas enfadonhas e incompreensíveis, a milhas do nosso mundo tão outro, e deixava-nos livres para projectos essenciais, como ir ver oscilar os agriões nos regatos e fazer colares e brincos de cerejas. Baptizávamos as árvores, passeávamos de burro, fabricávamos grinaldas de flores do campo. Fazíamos quadras ao desafio, inventávamos palavras e entoávamos melodias nunca aprendidas.
Na Infância as escolas ainda não tinham fechado. Ensinavam-nos coisas inúteis como as regras da sintaxe e da ortografia, coisas traumáticas como sujeitos, predicados e complementos directos, coisas imbecis como verbos e tabuadas. Tinham a infeliz ideia de nos ensinar a pensar e a surpreendente mania de acreditar que isso era bom.
Não batíamos na professora, levávamos-lhe flores.
E depois ainda havia infância para perceber o aroma do suco das maçãs trincadas com dentes novos, um rasto de hortelã nos aventais, a angustia de esperar o nascer do sol sem ter a certeza de que viria (não fosse a ousadia dos pássaros só visíveis na luz indecisa da aurora), a beleza das cantigas límpidas das camponesas, o fulgor das papoilas. E havia a praia, o mar, as bolas de Berlim. (As bolas de Berlim são uma espécie de ex-libris da Infância e nunca mais na vida houve fosse o que fosse que nos soubesse tão bem).
Aos quatro anos aprendi a ler; aos seis fazia versos, aos nove ensinaram-me inglês e pude alargar o âmbito das minhas leituras infantis. Aos treze fui, interna, para o Colégio. Ali havia muitas raparigas que cheiravam a pão, escreviam cartas às escondidas, e sonhavam com os filmes que viam nas férias. Tínhamos a certeza de que o Tyrone Power havia de vir buscar-nos, com os seus olhos morenos, depois de nos ter visto fazer uma entrada espampanante no salão de baile onde o Fred Astaire já nos teria escolhido para seu par ideal.
Chamava-se a isto Adolescência, as formas cresciam-nos como as necessidades do espírito, música, leitura, poesia, para mim sobretudo literatura, história universal, história de arte, descobrimentos e o Camões a contar aquilo tudo, e as professoras a dizerem, aplica-te, menina, que vais ser escritora.
Eram aulas gloriosas, em que a espuma do mar entrava pela janela, a música da poesia medieval ressoava nas paredes cheias de sol, ay eu coitada, como vivo em gran cuidado, e ay flores, se sabedes novas, vai-las lavar alva, e o rio corria entre as carteiras e nele molhávamos os pés e as almas.
Além de tudo isto, que sorte, ainda havia tremas e acentos graves.
Mas também tínhamos a célebre aula de Economia Doméstica de onde saíamos com a sensação de que a mulher era uma merdinha frágil, sem vontade própria, sempre a obedecer ao marido, fraca de espírito que não de corpo, pois, tendo passado o dia inteiro a esfregar o chão com palha de aço, a espalhar cera, a puxar-lhe o lustro, mal ouvia a chave na porta havia de apresentar-se ao macho milagrosamente fresca, vestida de Doris Day, a mesa posta, o jantarinho rescendente, e nem uma unha partida, nem um cabelo desalinhado, lá-lá-lá, chegaste, meu amor, que felicidade! (A professora era uma solteirona, mais sonhadora do que nós, que sabia todas as receitas do mundo para tirar todas as nódoas do mundo e os melhores truques para arear os tachos de cobre que ninguém tinha na vida real).
Mas o que sabíamos nós da vida real? Aos 17 anos entrei para a Faculdade sem fazer a mínima ideia do que isso fosse. Aos 19 casei-me, ainda completamente em branco (e não me refiro só à cor do vestido). Só seis anos, três filhos e centenas de livros mais tarde é que resolvi arrumar os meus valores como quem arruma um guarda-vestidos. Isto não, isto não se usa, isto não gosto, isto sim, isto seguramente, isto talvez. Os preconceitos foram os primeiros a desandar, assim como todos os itens que à pergunta porquê só me tinham respondido porque sim, ou, pior, porque sempre foi assim. E eu, tumba, lixo, se sempre foi assim é altura de deixar de ser e começar a abrir caminho às gerações futuras (ainda não sabia que entre os meus 12 netos se contariam nove mulheres). Ouvi ontem uma jovem a dizer, a revolução que nós fizemos nos últimos anos. Não meu amor: a revolução que NÓS fizemos nos últimos 50 anos. Mas não interessa quem fez o quê. É preciso é que tenha sido feito. E que seja feito. E eu fiz tudo, quando ainda não era suposto. Quando descobri que ser livre era acreditar em mim própria, nos meus poucos, mas bons, valores pessoais.
Depois foram as circunstâncias da vida. A alegria de mais um filho, erros, acertos, disparates, generosidades, ingenuidades, tudo muito bom para aprender alguma coisa. Tudo muito bom. Aprender é a palavra chave e dou por mal empregue o dia em que não aprendo nada. Ainda espero ter tempo de aprender muita coisa, agora que decidi que a Bíblia é uma metáfora da vida humana e posso glosar essa descoberta até, praticamente, ao infinito.
Pois é. Eu achava, pobre de mim, que era poetisa. Ainda não sabia que estava só a tirar apontamentos para o que havia de fazer mais tarde. A ganhar intimidade, cumplicidade com as palavras. Também escrevia crónicas e contos e recados à mulher-a-dias. E de repente, aos 63 anos, renasci. Cresceu-me uma alma de romancista e vá de escrever dez romances em 12 anos, mais um livro de contos (Os Linhos da Avó) e sete ou oito livros infantis. (Esta não é a minha área, mas não sei porquê, pedem-me livros infantis. Ainda não escrevi nenhum que me procurasse como acontece com os romances para adultos, que vêm de noite ou quando vou no comboio e se me insinuam nos interstícios do cérebro, e me atiram para outra dimensão e me fazem sorrir por dentro o tempo todo e me tornam mais disponível, mais alegre, mais nova).
Isto da idade também tem a sua graça. Por fora, realmente, nota-se muito. Mas eu pouco olho para o espelho e esqueço-me dessa história da imagem. Quando estou em processo criativo sinto-me bonita. É como se tivesse luzinhas na cabeça. Há 45 anos, com aquela soberba muito feminina, costumava dizer que o meu espelho eram os olhos dos homens. Agora são os olhos dos meus leitores, sem distinção de sexo, raça, idade ou religião. É um progresso enorme.
Se isto fosse uma autobiografia teria que dizer que, perto dos 30, comecei a dizer poesia na televisão e pelos 40 e tais pus-me a fazer umas maluqueiras em novelas, séries, etc. Também escrevi algumas destas coisas e daqui senti-me tentada a escrever para o palco, que é uma das coisas mais consoladoras que existem (outra pessoa diria gratificantes, mas eu, não sei porquê, embirro com essa palavra). Não há nada mais bonito do que ver as nossas palavras ganharem vida, e sangue, e alma, pela voz e pelo corpo e pela inteligência dos actores. Adoro actores. Mas não me atrevo a fazer teatro porque não aprendi.
Que mais? Ah, as cantigas. Já escrevi mais de mil e 500 e é uma das coisas mais divertidas que me aconteceu. Ouvir a música e perceber o que é que lá vem escrito, porque a melodia, como o vento, tem uma alma e é preciso descobrir o que ela esconde. Depois é uma lotaria. Ou me cantam maravilhosamente bem ou tristemente mal. Mas há que arriscar e, no fundo, é só uma cantiga. Irrelevante.
Se isto fosse uma autobiografia teria muitas outras coisas para contar. Mas não conto. Primeiro, porque não quero. Segundo, porque só me dão este espaço que, para 75 anos de vida, convenhamos, não é excessivo.
Encontramo-nos no meu próximo romance.
Rosa Maria de Bettencourt Rodrigues Lobato de Faria (20 de Abril de 1932 - 2 de Fevereiro de 2010) escritora, compositora e actriz portuguesa.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Inauguração da Biblioteca Escolar de Carnide
A Biblioteca do Centro Escolar de Carnide vai ser inaugurada no dia 5 de Fevereiro...

PROGRAMA
14.00h — “Momento da história 1” com a Coordenadora Interconcelhia Dr.ª Ana Cabral para as crianças do Pré-escolar
14.45h — “Momento da história 2“ com a Coordenadora Interconcelhia Dr.ª Ana Cabral para os alunos do 1.º Ciclo
15.30h — Inauguração Oficial
21.00h — “Quem conta um conto…” sessão para Pais e Encarregados de Educação por António Fontinha

PROGRAMA
14.00h — “Momento da história 1” com a Coordenadora Interconcelhia Dr.ª Ana Cabral para as crianças do Pré-escolar
14.45h — “Momento da história 2“ com a Coordenadora Interconcelhia Dr.ª Ana Cabral para os alunos do 1.º Ciclo
15.30h — Inauguração Oficial
21.00h — “Quem conta um conto…” sessão para Pais e Encarregados de Educação por António Fontinha
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Entrevista a Evanda Verri Paulino - A Biblioteca Escolar...

Muito interessante...
Segundo Evanda Verri Paulino, presidente do CRB ( a maior associação profissional brasileira que reúne 8 mil bibliotecários paulistas) "...as bibliotecas devem funcionar cada vez mais como uma espécie de agência educadora e laboratórios de informações..."
"Nas bibliotecas escolares, bibliotecários e professores trabalham em parceria para ensinar ferramentas essenciais na atualidade como: tirar conclusões e decisões embasadas em informações advindas de fontes confiáveis, aplicar o conhecimento em situações distintas e gerar novos conhecimentos".
"Nós, bibliotecários, devemos ajudar a despertar e estimular o indivíduo para a leitura, a pesquisa, o saber e o questionamento".
"Assim, estamos cada vez mais focados em desenvolver competências informacionais, ajudando a preparar os indivíduos para acessar, analisar, filtrar e selecionar informações, para que possam se apropriar de conteúdos de maneira ética e gerar novos conhecimentos".
Segundo Evanda Verri Paulino, presidente do CRB ( a maior associação profissional brasileira que reúne 8 mil bibliotecários paulistas) "...as bibliotecas devem funcionar cada vez mais como uma espécie de agência educadora e laboratórios de informações..."
"Nas bibliotecas escolares, bibliotecários e professores trabalham em parceria para ensinar ferramentas essenciais na atualidade como: tirar conclusões e decisões embasadas em informações advindas de fontes confiáveis, aplicar o conhecimento em situações distintas e gerar novos conhecimentos".
"Nós, bibliotecários, devemos ajudar a despertar e estimular o indivíduo para a leitura, a pesquisa, o saber e o questionamento".
"Assim, estamos cada vez mais focados em desenvolver competências informacionais, ajudando a preparar os indivíduos para acessar, analisar, filtrar e selecionar informações, para que possam se apropriar de conteúdos de maneira ética e gerar novos conhecimentos".
A entrevista na integra Aqui
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Concurso conta-nos uma história

A iniciativa “Conta-nos uma história” – Podcast na Educação é um concurso que consiste na produção colaborativa ou no reconto de histórias já existentes (por exemplo, contos, fábulas, parábolas, mitos ou lendas). Pretende fomentar a dinamização de projectos desenvolvidos pelas escolas de Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico que incentivem a utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), nomeadamente tecnologias de gravação digital áudio.
A candidatura é feita on-line, através do preenchimento de um formulário em http://www.erte.dgidc.min-edu.pt/podcast até ao dia 15 de Fevereiro de 2010.
Mais imformações em:
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Há vida na biblioteca!

Porque ler é um enorme prazer, a VISÃO Júnior, o Plano Nacional de Leitura e
a Rede de Bibliotecas Escolares, criaram uma iniciativa que pretende mostrar
a toda a gente como funcionam hoje as bibliotecas das escolas. E permite, a quem participa, treinar competências que também são úteis nos trabalhos da escola.
http://aeiou.visaojunior.visao.pt/
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Aniversário do escritor Oswald de Andrade
Oswald de Andrade - Poeta, Romancista, DramaturgoNascimento: São Paulo, 11 de Janeiro de 1890
Morte: 22 de outubro de 1954 (64 anos)
Nacionalidade: Brasileiro
Escola/tradição Modernismo
Principais Obras:
POESIA
1926: Pau-Brasil
1927: Primeiro Caderno do Aluno de Poesia Oswald de Andrade
1945: Cântico dos Pânticos para Flauta e Violão
1945: O Escaravelho de Ouro
1947: O Cavalo Azul
ROMANCE
1922-1934: Os Condenados (trilogia)
1924: Memórias Sentimentais de João Miramar
1933: Serafim Ponte Grande
1943: Marco Zero à Revolução Melancólica
TEATRO
1934: O Homem e o Cavalo
1937: A Morta
1937: Rei da Vela
http://pt.wikipedia.org
O aniversário de TINTIN
Tintim protagonista da banda desenhada criada por Hergé em 1929,
celebra a 10 de Janeiro o seu 81º aniversário.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Feliz Ano de 2010
“Um brinde à vida, que continua a ser um milagre a cada instante!
Um brinde ao êxito, que me fez dar muitos passos em frente!
Um brinde aos desgostos sofridos, que me ensinaram as lições que eu precisava de aprender!
Um brinde às horas de festa, de lazer e prazer, que ninguém é de ferro!
Um brinde aos sorrisos recebidos e oferecidos!
Um brinde aos milhares de pensamentos, que mostraram o meu poder criativo!
Um brinde aos que acreditaram em mim, até mesmo nas horas duvidosas!
Um brinde à felicidade, que não se cansa de bater à minha porta!
Um brinde, enfim, a mim mesmo, pelo caminho percorrido, pelas conquistas alcançadas, pelo amor que tenho, pela bravura que me defende!
Sim, um brinde a mim, que mereço!
E a si, que também merece!”
(Lauro Trevisan, Abrace a vida, Dinalivro, 2003)
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
História de Natal
"Nasceu o Menino Jesus" - história ilustrada e recontada pelo grupo de crianças da sala 1 do Jardim de Infância de Carnide.
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